Com a crise no setor cerâmico e o aumento das liquidações — como a recente falência da tradicional La Luiggi — muitos consumidores estão tendo a oportunidade de adquirir peças premium por preços nunca antes vistos. Mas como saber se a cerâmica que você está comprando é realmente de qualidade? Consultamos especialistas para montar um guia definitivo.
1. O peso da peça
A primeira coisa que um especialista faz ao avaliar uma cerâmica é sentir seu peso. Peças premium são feitas com argila de alta densidade, o que as torna consideravelmente mais pesadas que cerâmicas comuns.
"Pegue um prato na mão. Se ele parece leve demais, é sinal de que a argila foi misturada com materiais de enchimento baratos. Uma peça de qualidade tem peso — você sente a solidez", explica Carlos Eduardo Braga, ceramista com 25 anos de experiência e ex-consultor da fábrica La Luiggi.
Os Conjuntos Itália da La Luiggi, por exemplo, são conhecidos por usar Caulim puro — uma argila nobre que confere densidade e resistência excepcionais.
2. A temperatura de queima
Este é talvez o fator mais importante e menos conhecido pelo consumidor. A temperatura em que a cerâmica é queimada no forno determina diretamente sua durabilidade, resistência a riscos e capacidade de manter a cor ao longo dos anos.
Comparativo: temperaturas de queima
- Cerâmica básica (800-1000°C): Porosa, frágil, absorve líquidos facilmente. Lascas e trincos são frequentes. Vida útil curta.
- Cerâmica intermediária (1000-1200°C): Mais resistente, mas ainda suscetível a manchas e desgaste. É a faixa da maioria dos produtos de mercado.
- Cerâmica premium (1200-1400°C): Extremamente densa e resistente. Praticamente impermeável. Resistente a riscos, manchas e variações térmicas. É a faixa usada por marcas como La Luiggi.
"A 1400°C, as partículas de argila se fundem completamente, criando uma estrutura molecular quase tão resistente quanto pedra natural. É por isso que peças premium duram décadas sem perder o brilho", detalha Braga.
3. O acabamento dos detalhes
Passe o dedo pelas bordas do prato. Em cerâmicas de qualidade, as bordas são perfeitamente uniformes, sem irregularidades, rebarbas ou pontos ásperos. O esmalte deve ser liso e sem bolhas.
No caso de peças com detalhes decorativos — como os filetes texturizados em ouro da linha Itália — observe se o padrão é consistente em todas as peças do conjunto. Em produtos premium, a uniformidade é impecável.
4. O som da cerâmica
Uma técnica usada por profissionais há séculos: bata levemente com a unha na borda do prato. Uma cerâmica de qualidade produz um som claro, agudo e ressonante — quase como um sino. Se o som for abafado ou opaco, indica porosidade e baixa qualidade.
"É um teste simples que qualquer pessoa pode fazer. Um prato premium 'canta' quando você bate nele. Um prato comum faz um som surdo, sem vida. Esse teste sozinho já elimina 90% dos produtos de baixa qualidade do mercado."
Carlos Eduardo Braga, ceramista e consultor técnico
5. A resistência térmica
Cerâmicas premium suportam variações bruscas de temperatura sem trincar. Isso significa que você pode tirar um prato da geladeira e colocá-lo diretamente no micro-ondas sem medo. Peças de baixa qualidade frequentemente trincam nessas situações.
Este é um dos motivos pelos quais chefs profissionais e restaurantes de alto padrão preferem cerâmicas premium: elas resistem ao uso intenso no dia a dia sem comprometer a integridade ou a estética.
Onde encontrar cerâmica premium acessível?
Com as recentes falências no setor, a melhor oportunidade atual para adquirir cerâmica premium a preço acessível é através das liquidações judiciais. A mais comentada atualmente é a liquidação da fábrica La Luiggi, cujos Conjuntos Itália de 62 peças atendem todos os 5 critérios listados acima — e estão saindo por uma fração do preço original.
Os especialistas consultados pela reportagem são unânimes: oportunidades como essa são raríssimas. "Uma fábrica que produzia cerâmica de R$ 1.200 vendendo a preço de custo? Isso acontece uma vez na vida. Para quem valoriza a mesa e a decoração da casa, não existe momento melhor", conclui Braga.
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